Um livro...

Ai vai um livro que é dado no primeiro ano do Curso de Direito...

Título: O caso dos exploradores de caverna
Autor: Lonl L. Fuller
Tradutor: Plauto Faraco de Azevedo
Editora: Sérgio Antonio Fabris
Ano: 1999/Porto Alegre

Tudo começa quando um grupo de cinco exploradores, membros da Sociedade Espeleológica, entram no fundo de uma caverna e ocorre o desabamento na porta impedindo o tráfico por ela, assim sem ter o que fazer aguardam socorro, porém a chegada do socorro era uma tarefa muito difícil por causa da situação do desabamento, as dificuldades eram muitas, foram gatos altos valores em dinheiro, homens morreram, foi necessário um grande numero de pessoas e equipamentos para o salvamento, descoberto que havia um meio de comunicação com os exploradores dentro da caverna, logo começaram a comunicação, os exploradores ao se depararem com o problema de falta de comida, pois não havia vegetação nem animais no interior da caverna, propuseram uma solução, matar um deles para que os outros sobrevivessem, já que a quantidade de dias para o salvamento era maior do que o máximo de dias que um ser humano pudesse sobreviver sem alimento, então, pediram a opinião de algum membro juridicamente ou espiritualmente responsável, mas ninguém se prontificou a ajuda-los na decisão a ser tomada, nisso após algum tempo perde-se a comunicação.
Após o resgate os fatos foram apurados e viram que eles haviam fechado um acordo entre eles de que tirariam no dado para ver quem seria o escolhido a salvar a vida de todos, esse acordo foi proposto por Roger Whetmore que é a vitima do homicídio, Whetmore mesmo sendo o mentor do plano recusou-se a último momento a jogar o dado, foi decidido pelos os outros que na vez dele os dados seriam lançados por outra pessoa em seu lugar, sem objeção de Whetmore, por sua infelicidade, acaba perdendo e sendo o escolhido a salvar a vida dos outros, sendo assim morto, os sobreviventes foram acusados pelo assassinado de Roger Whetmore condenados a forca. Foi feito um pedido ao Juiz no julgamento, pelo porta-voz dos jurados, se seria possível emitir um veredicto especial, assim ficando sobre o juiz a responsabilidade de decidir o futuro dos réus, após algumas discussões, o representante do Ministério Público, assim como o Advogado defensor dos réus, concordaram com esse tal procedimento, que foi aceito pelo juiz, o júri acolheu a prova dos fatos como acima a relatei e ainda que se, o júri decidiu que se os acusados fossem considerado culpados, deveriam ser condenados, com base nisso o Juiz de Primeira Instância decidiu que os Réus eram culpados, como sanção a forca. Os membros do Júri enviaram ao Chefe do Poder Executivo pedindo a diminuição da pena, uma atitude parecida foi feita pelo Juiz de Primeira Instância.
Foster, juiz do tribunal de apelação, fica a favor de declarar os réus inocentes, seus argumentos são com base no direito natural, na questão de jurisdição, iguala o caso deles com casos de empresas que expõem seus funcionários ao risco de vida, compara com jurisprudências, põe a questão da fidelidade inteligente.
Tatting, também juiz do tribunal de apelação, a principio fica contra Foster, expõem argumentos bons contra a absolvição dos réus, mas no final por achar-se incapaz de julgar o caso, resolve ficar fora do julgamento.
Keen, juiz do tribunal de apelação, fica a favor da condenação, pois acha que apesar de ser uma decisão severa, corre-se menos risco de comprometer a credibilidade da Constituição, pois as sentenças severas podem até mesmo ter um certo valor moral, pois faz que o povo cumpra a lei, a exceção ao cumprimento das leis, faria mal a longo prazo.
Handy, juiz do tribunal de apelação, aprova a inocência dos réus, com bases na política, argumenta que a maioria da população deseja isso, usa uma jurisprudência de um caso seu, semelhante, onde o caso é encerrado por falta de provas, assim conseguindo agradar a maioria da população.
Mesmo com tudo acima a decisão do Tribunal de Primeira Instância foi confirmada e os réus foram submetidos a pena de morte.

Agora vai o meu julgamento:

Não se pode concordar com o desfecho do processo, pois esse processo não teve um olhar tridimensional, que é ver as coisas de uma maneira jurídica, social e filosófica, ele se atem muito a norma, mas esquece que a norma não deve ser aplicada na integra é necessário o juiz ter um bom senso, pois eles não podem ter uma sanção igual a de um assassino em massa, pois seria injusto, o que seria contraditório a idéia inicial da lei, ali eles mataram praticamente em legitima defesa, sem contar que eles tentaram fazer contato com as autoridades competentes, mas obteve como resposta sempre um não, pois não quiseram ajuda-los. Não podemos ver seus atos, como atos de crueldade, isso porque estavam numa realidade diversa da natural, a idéia ora defendida, assemelha-se a do Foster na hora que ele diz que aquelas pessoas estavam numa outra jurisdição, pode-se  até ir alem do Foster, pois acredita-se que eles não deveriam sofrer pena alguma, serem totalmente absolvidos, era questão de sobrevivência, foi necessário matar alguém para não morrer, é legitima defesa um instinto natural. No caso deles além de ser uma questão de sobrevivência foi perguntado se seria certo a atitude tomada, mas pelo fato de ninguém competente se movimentar acabaram optando pela preservação da vida, pelo menos da maioria das vidas ali existentes, até mesmo porque segundo um velho ditado: “Quem cala consente”, não usaram nada mais que um instinto de defesa, não foi um caso que mataram por prazer, vingança ou algo do tipo, mas sim por sobrevivência ou que se caracterizaria como legitima defesa apesar de ser planejado anteriormente. Citar-se-ia um exemplo de uma mãe, que ao ver o assassino de sua filha que acabara de morrer em sua frente e ela possui uma arma apontada para ele, ele que sem ter o q fazer resolve avançar nessa mãe e ela acaba disparando a arma e apenas com um tiro mata o infeliz, parece evidente que o desejo dela naquele momento era que ele morresse, mas agiu em legitima defesa, pois apenas deu um tiro e não excedeu, agora digamos que ela ficou com a arma apontada por uns 20 minutos até que o bandido tomasse tal atitude e levasse o tiro e levando em consideração que em todos aqueles 20 minutos ela só planejava uma maneira de matar o desgraçado, nesse caso apesar de ser a vontade daquela mãe matar o desalmado é legitima defesa, pois foi de acordo com os parâmetros exigidos para tal, mas o caso dos Exploradores não, como seria para diferenciar o que seria legitima defesa ou não. Deixemos de lado a questão de por em risco da credibilidade da Constituição ser ameaçada, isso porque o fato de você julgar tal pessoas inocentes não contraria a Constituição, mas sim pondera os princípios. A questão da opinião publica está ligeiramente ligada ao caso porque um grande número de pessoas estaria a favor se esse caso não fosse um caso justo, e sabendo que a pequena porcentagem que está contra é por motivos externos ao da justiça, pelo menos a grande maioria deles, não seria ideal ver esse caso com calma, com olhos principalmente na situação que se encontravam e os motivos que levaram a eles fazerem isso, claro sem deixar se influenciar por comentários pré-científicos, não é só porque a maioria esta a favor que sejamos também, mas sim tentar entender porque essa grande maioria esta a favor e ver se realmente estão por um motivo justo, que poderia ser levado em consideração.
Portanto o mais justo é absolver os réus, isso não quer dizer descumprir a lei, mas sim analisa-la com justiça, a base para o julgamento do caso para ser resolvido da maneira mais legal e justo possível, pois “Direito deve ser sempre uma tentativa de direito justo” (Miguel Reale).

Fala do atual Presidente e um breve Retrocesso...

Hoje (sexta-feira) ocorreu o Fórum Mundial Econômico e nele nosso presidente fala que:

"Eu tenho dito a todos os dirigentes latino-americanos: nós temos parar de viajar o mundo chorando a nossa miséria e importando culpados pela nossa desgraça. Muitas vezes, a responsabilidade é nossa", declarou Lula, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Leia Aqui.

Gostaria de tecer um elogio ao nosso presidente, aliás melhor dizendo, ao seus assessores, pois ele é um típico político que tem uma retórica tremenda, ou seja, ele fala o que as pessoas querem ouvir, pois esse trecho do seu discurso contradiz o que ele disse em 2005 no Fórum Social Mundial em Porto Alegre: "Durante o encontro, Lula respondeu a perguntas de representantes das entidades que formam o conselho e disse que sempre será "um militante do movimento social". Acompanhado por quatro ministros e três secretários de Estado, o presidente também justificou a sua presença no Fórum Econômico Mundial, em Davos, ao dizer que pretende tentar sensibilizar os participantes do evento para a importância do combate à fome." Leia aqui. 

Agora eu pergunto: Será que as vezes não é necessário "chorar lágrimas" e assim tentar sensibilizar os paises tidos como de "primeiro mundo", buscando que eles parem de explorar de tal forma os países do "terceiro mundo". E talvez essas lágrimas não sejam fruto de um mundo globalizado e capitalista onde quem detêm o poder (o capital) explora os desafortunados? Só que nem tudo são lágrimas, gostei da parte que ele fala o seguinte (viu como ele tem retórica?!):

"É preciso acabar com a mania dos países ricos de dar dinheiro para governantes que às vezes nem aplicam o dinheiro corretamente. É preciso que os investimentos sejam um projeto de desenvolvimento, porque isso gera emprego, riqueza e melhorias na qualidade de vida", disse Lula.

Aproveitando o ensejo vou postar comentários sobre o seguinte livro:

Título: Brasil Objetivo: Romance Político - Histórico Administrador e Orientador - Governos de Dutra a Fernando Henrique
Autor: João Lins de Melo
Editora: JM
Edição: 3ª
Ano: 2001

É um livro com um olhar crítico dos governos de Dutra a Fernando Henrique, o autor fala sobre os acontecimentos noticiados na mídia, bem como outros que são de seu conhecimento. O autor apresenta algumas soluções no decorrer do livro, porém muitas são demasiadamente simplórias, as vezes até utópica. O livro é dividido, de maneira geral, em duas partes, a primeira ele busca relatar os fatos e suas críticas aos acontecimentos, na segunda parte ele se reporta de como fazer um país melhor, como melhorar a atual administração olhando os erros do passado. Apesar da intenção ser boa, em alguns momentos se tem a impressão que seria mais fácil a Colônia Cecilia dos Anarquista do Paraná ter dado certo do que a sua proposta, mas tudo bem, vale a intenção e a crítica que é feita, bem como acredito ser interessante as partes onde ele diz ao povo que não podemos ficar calados, vale a pena ler é interessante o olhar que ele tem, apesar de não fazer um discurso totalmente - digamos - de esquerda, ele se preocupa com o Brasil e com o bem estar da população em geral. Agora postarei algumas partes do livro:

p. 11 - "As frustrações, mediocridade e corrupção campeam em alguns setores há muito tempo, por faltar punição e existir convivência dos espertos para assaltar os cofres públicos desguarnecidos e sem fiscalização adequada. Onde há impunidade, haverá o avanço da corrupção e conseqüente desmantelamento do regime disciplinar de um Estado. É a desordem peculiar do mau brasileiro que não trouxe letreiro na testa para anunciar quem ele é."
p. 13 e 14 - "[...] Não se deixe dominar por influências negativas com ideologia dos primatas. Para se atuar numa cultura inteligente é preciso, antes de tudo, analisar as transformações que devem ser feitas para se chegar a um acordo dos trabalhos executados em benefício de uma sociedade [...] Há necessidade, portanto, de novos estímulos nas ações dos políticos, através da análise dos erros do passado e da reincidência desses mesmos erros [...]"
p. 19 - "[...] compreendi as dificuldades da vida, observando que ninguém ajuda o outro a não ser por interesse. Assim é a mentalidade adulta da maioria das pessoas. [...]"
p. 25 - "[...] Getúlio Vargas era tido como o pai dos pobres porque os defendia a todo custo. Essa era a plataforma política que ele tinha e os investidores estrangeiros não queriam, para poder continuar explorando o país, oferecendo empréstimos, como fazem até hoje. Quando Getúlio Vargas suicidou-se em 24 de agosto de 1954, não tinha completado o seu mandato democrático e, não agüentando as desavenças políticas existentes na época, pôs termo à sua vida com um tiro no coração."

p. 30 - "[...] Quando se precisa do dinheiro para novos empreendimentos eles não socorrem, entretanto, quando a situação é estável, correm atrás oferecendo empréstimos à custa de propinas garantidas."
p. 31 - "Outros governos que se instalaram no país após o mandato 'Juscelinista' não tiveram a coragem de continuar o desenvolvimento desse grande Presidente, que morreu num desastre na estrada Rio-São Paulo, não ficando bem esclarecido o caso. Mesmo assim, ficou patente a marca de sua passagem "desenvolvimentista" na política brasileira."
p. 34 - "[...] A Petrobrás deveria ficar no 'pool' das estatais, mas não como cabide de empregos e sim para desenvolver o setor de prospecção, muito útil ao país [...]"
p. 36 - "[...] Jânio estava disposto a fazer um saneamento total na administração pública e o povo o apoiava mas, infelizmente, isto não aconteceu [...] E no dia 25 de agosto do mesmo ano, dava a conhecer para toda a nação a sua carta-renúncia: "Fui vencido pela reação e, assim, deixo o governo [...]"
p. 37 - "Analisando, friamente, as duas declarações do Presidente, dá para desconfiar dos maus políticos que querem apoderar-se do poder para dinamizar o esvaziamento dos cofres públicos [...]"
p. 37 - "Não suportou a discórdia dos apositores que, interessados, faziam fila para assumir o cargo de Presidente da República. Sem capacidade para tal, queriam iludir o povo e aliar-se aos corruptos, como meio mais eficaz de enriquecerem ilegalmente através de seus auxiliares. [...]"
p. 39 - "Um candidato à Presidência tem que ter a consciência bem formada, forte por natureza e sentir orgulho de dirigir e administrar uma nação como o Brasil. Porém o que o povo assiste é à falta de candidato com o QI normal de compreensão para fazer uma administração regular. Chega até a se duvidar dos que surgem fazendo promessas descabíveis [...] Observem esse fato no mundo dos negócios, que todos chegarão à conclusão de que o Brasil é uma grande potência econômica e todo mundo está de olhos voltados para essa nação, querendo tirar proveito da riqueza que temos. Dessa forma, depende da ação política decente para se negociar com os espertos lá de fora."
p. 40 - "A marca de sua honestidade ficou na mente dos que estão por fora e não acompanhavam a política. No entanto, ninguém provou quaisquer escândalos que abalasse a virtude de um político honesto. Após alguns anos de habilidade da classe, imaginem os políticos que não têm o estigma da honestidade? [...] Foi para a eternidade mais um político cheio de facetas e dissimulação, próprio da agilidade da categoria, procurando encobrir o ato de sua renúncia como se fosse um mistério da profissão. Aproveitou esse álibi para continuar explorando a carreira política [...]"
p. 41 - "Por isso se diz que a Democracia é o melhor sistema para o povo brasileiro, desde que hajam regras para os políticos. E se omitindo a esse fato o povo se acomoda ou acovarda-se, estimulando a mediocridade que eles querem. O povo deve acordar e fazer valer sua cidadania. Façamo-los entenderem que estão sendo vigiados. Se cruzarmos os braços, deixando que os políticos façam o que querem, prejudicando a comunidade e não dermos o grito de alerta, tomarão conta do povo e instalarão a desorganização dos valores como meta prioritária. Aí, desgraçadamente, estamos todos perdidos na ação corruptiva que se descobre diariamente e que tem sido divulgada pela imprensa falada e escrita. Cansados estamos todos de promessas políticas e quando eles se apossam do poder por meio de votos, procuram cuidar mais do seu próprio interesse e deixam o país para segundo plano, egoisticamente."
p. 45 e 46 - "[...] Se o Brasil falasse, diria a seus filhos: 'O mundo inteiro espera tudo de mim. Parem de me envergonhar com seus atos impuros, pondo a culpa em meu nome. Vocês são uns desavergonhados'. Essa conversa fez-me lembrar de uma anedota bem antiga que anda no pensamento da gente e vale a pena mencionar aqui; 'Quando Deus criou a Terra, definiu vários pontos do planeta, dizendo: - Aqui haverá muito frio, nesta outra parte predominará terremotos, na outra vulcões e tempestades e, nesse ponto, onde está localizado o Brasil, muita calma, riqueza e felicidade. Tendo os apóstolos perguntado: - Dará certo essa divisão desigual? O Senhor respondeu: - Só que a gente que colocarei lá tem que aprender a arte do trabalho e honestidade, porque cansado sempre estão e quando enjoarem vão se deitar para descansar e ver a vida passar'. E assim, se conclui: está difícil essa gente se endireitar! Os justos pagarão pelos pecadores. Com tanta riqueza em seu solo a ser explorado, ordenadamente, preferem atuar na esperteza, levando vantagens sobre os outros."
p. 46 - "Os maus políticos que se cuidem por não saberem aproveitar a votação que tiveram, porque arcarão com as conseqüências no futuro próximo. Não precisa ser vidente para prever o que vai acontecer. A justiça tarda mas não falha. Ela virá, com certeza, se continuar essa maçaroca de atitudes irreverentes na Administração Pública. Estamos assistindo ao movimento dos 'sem-terras', que crescerá se não forem tomadas providências para controlar esses abusos. E se continuar os desatinos oficiais da política desajustada surgirão outros movimentos, que perturbarão a vida social brasileira. O povo anda cansado de tanto ser espoliado e iludido pelos maus-carácteres do poder. Não adianta se esconderem em pele de cordeiro. Deus que nos livre e proteja do que possa surgir no horizonte brasileiro! Como aviso, é bom dizer que na hora chegada da insubordinação os únicos culpados serão os políticos que não souberam atuar de forma decente, para sanear amoralidade pública bastante denegrida."
p. 48 - "[...] Quando não se tem necessidade de empréstimo, eles estão correndo atrás, fazendo aliciamento até com propinas. Esta é a meta dos agiotas e o interesse dos nossos políticos em botarem as mãos nos dólares."
p. 49 - "Precisamos trabalhar e fazer economia internamente para não contrairmos mais empréstimos que permitam a intromissão estrangeira em nossos assuntos econômicos e domésticos. Esse estado colonial-financeiro continuará fornecendo dividendos aos países ricos se não nos interessarmos em cortar essa maia de sermos escravocratas-colonialistas. Isto define a corrupção, violência e a miséria, difamando a moral dos envolvidos, que são o corruptor e o corrupto. Se não houvesse o corruptor, que é o maior criminoso, não existiriam tantos corruptos dentro de uma sociedade."
p. 51 e 52 - "[...] o Presidente seria o Chefe do Estado Maior do Exército, Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, homologado pelas Forças Armadas no dia 7 de abril de 1964. Os Deputados de vários partidos se manifestaram satisfeitos, dando amplo apoio ao Presidente Castello Branco. A classe empresarial através da Associação Comercial, não teve dívidas e manifestou-se de pleno acordo com a escolha."

p. 63 - "Começou o desinteresse geral das classes trabalhadoras e, para melhorar esse clima de desânimo com a inflação que aumentava, foi criado um sistema novo de aumento salarial por semestre e depois trimestre. Os técnicos-burocratas que inventaram esse sistema contavam que essa medida fosse benéfica aos empregados. Mas o efeito foi outro e bem negativo. Muito desemprego. Tumulto no meio empresarial com rodízio de seus funcionários e operários [...] Manter-se no poder, para eles e a todo custo, era a meta mais importante em vez de estudarem um planejamento sério e correto para o país. As orgias de despesas e mordomias que o homem público usufrui são desconhecidas pela maioria da população e isto não é de hoje, vem de longos tempos. A mamata é tentadora, por isso existe a luta ferrenha de se conservar no poder. O esbanjamento do dinheiro público sempre foi desmedido, como é até hoje."
p. 68 - "O pensamento do povo não pode ser cerceado quando a ação é para melhorar as condições de vida de uma sociedade, acabando com os vícios de corrupção e a impunidade, que é o maior câncer da comunidade brasileira. Os governantes se acovardam e se escondem em pele de cordeiro, com medo de destruir o que foi feito em seu benefício."
p. 78 - "[...] A comunidade acha que a casa é do povo, mas não é, ela é dos políticos que mandam e fazem o que querem porque ninguém reclama e, aí, eles aproveitam para resolverem tudo à sua moda e se vangloriarem que são representantes do povo [...]"
p. 97 - "Cansado e desanimado com a vida política do país, Ruy chegou a pronunciar a famosa frase, entre outras, não menos importantes, que ficou nos anais históricos da vida pública brasileira. [...] Ei-la em sua profundidade: [...] 'De tanto ver triunfarem as maldades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescerem as injustiças, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude e rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto'."
p. 114 - "Com todo esse patrimônio intelectual e observando a massa pobre de cada região do Brasil comparada com a de outros países o Presidente não seguiu na prática o que dizia a teoria de seus livros, que era atuar num programa homogêneo na economia da sociedade, evitando, assim, a pobreza e miséria de alguns brasileiros que por falta de auxílio do governo permanecem nesse estado desigual [...]"
p. 152 - "Num governo perdulário o hábito de gastar é comum porque o dinheiro é fácil, à disposição na hora em que quiserem, faltando o senso econômico de uma austeridade necessária da vida pública do país. O caso de querer mudar o nome da Petrobrás para Petro-Brax, com despesas de dois e meio milhões de reais, quando esse dinheiro gasto sem necessidade deveria ter sido empregado em manutenção dos dutos antigos, para que não produzissem acidentes como o que houve recentemente no Rio Iguaçu, no Paraná, é um bom exemplo disso."
´. 158 - "É de se admirar que essas vendas de estatais tenham sido feitas a prazo a empresas estrangeiras, com pleno conhecimento da situação econômica dos outros países. Prazo por prazo era mais interessante que se fizessem essas vendas a empresas nacionais que, ao menos, não teríamos despesas com remessa de dólares ao exterior de funcionários e lucros. Como o Governo pode errar tanto, sem haver o grito de revolta da sociedade? Este negócio de concluir as vendas das estatais a grupos estrangeiros, apressadamente, embute algum interesse que o povo desconhece e está sendo iludido com informações inadequadas. Uma prova disso foi o negócio da venda da Telebrás, ao bater o martelo, por 13,5 bilhões de reais, quando essa estatal foi avaliada em 35 bilhões de reais por consultoria de empresa internacional competente. Esse prejuízo ficou na conta da economia nacional (que é rica e pode jogar fora esse vultuoso patrimônio?) por ter sido mal realizada, infelizmente."
p. 163 e 164 - "Será que essa subcomunidade abandonada, que vive em bolsões infectados, embaixo de pontes, favelas passará omitida diante dos olhos das autoridades? Isto é um momento de grande reflexão que todos têm a considerar, fazendo uma cruzada de cooperação na ajuda para melhorar a miséria desse povo desapercebido. Não queiram virar as costas para um problema com essa colaboração aos pobres e miseráveis será pequena em comparação com as que terão o Governo e a sociedade quando tiverem que manter os deficientes físicos, analfabetos, amrginais e criminosos."
p. 168 - "O povo brasileiro precisa aprender a economizar e, quando um Presidente errar, a comunidade tem todo o direito em reclamar para consertar o que foi feito de errado. Se ninguém fala nada os erros vão se avolumando e os políticos ativando os vícios de emprestar dinheiro de quem tiver a porta aberta para fornecer. É claro que o países ricos estão sempre prontos a fazer esse oferecimento."
p. 174 e 175 - O excesso de confiança de certas pessoas os fazem agir com prepotência, sem perceberem os erros de egoísmo que estão praticando, redundando em desastre fatal de extermínio da humanidade no único planeta que tem vida no sistema solar de nossa galáxia. A resolução americana de reativar o projeto de escudo antimísseis provocará outras nações a recorrerem à corrida armamentista. Quem pensa dessa forma está se adiantando em suas defesas, esquecendo de preservar os arsenais atômicos que, por mais segurança que tenham, sempre trarão perigo se terroristas suicidas tomarem posse. Os países ofendidos em seus interesses econômicos podem entrar em desespero e acabar articulando essa violência incomum. Isto provocará outras detonações de bombas nucleares em cadeia, provocando a hecatombe geral do planeta. Quem sobreviver terá pouco tempo de vida, contaminado por doenças incuráveis. Tudo por conta exclusiva dos homens sem lucidez, que não foram impedidos em suas intenções maléficas."

Mais um livro, agora muita filosofia...
Título: Grécia Filósofos: A origem do pensamento moderno
Autor: Cristina Vieira
Editora: Escala
Volume: 2
Série Culturas, Histórias & Mitos Book

Trata-se de uma série muito interessante e de fácil leitura sobre os fascínios da Grécia, o berço da filosofia. Neste livro você poderá encontrar ótimas informações a respeito de nossos filósofos clássicos, vale a pena ler. Essa série também tem outros volumes sobre as cidades, culturas e mitos gregos uma boa pedida para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o berço da humanidade, então como de praxe vamos a alguns pontos principais da obra (filósofos):

p. 13 -"Mas porque a filosofia surgiu justamente na Grécia? Há duas teorias a respeito. A primeira afirma a origem da filosofia está ligado ao contato que os gregos tiveram com o Oriente."
p. 14 - "Uma segunda teoria, no entanto, afirma que o surgimento da filosofia na Grécia se deve a uma espécie de 'milagre grego' [...] Segundo a filósofa brasileira Marilena Chauí, no seu livro Introdução à história da filosofia, 'a expressão 'milagre grego' significa não só que, de modo absolutamente original e espontâneo, os gregos criaram a filosofia e a ciência gregas [...]'."
p. 14 e 15 - "[...] a filosofia nasce como uma racionalização da narrativa mítica, superando-a e deixando-a como passa poético."
p. 15 - "Segundo Nietzsche, filósofo alemão do século XIX, os gregos criaram a filosofia porque não tiveram medo do dilaceramento, da dualidade que habita o homem: ser generoso, mas também capaz de crueldades atrozes. [...]"
p. 18 - "Os pré-socráticos buscavam algo de permanente, uma dimensão da realidade mais fundamental do que a captada por nossos sentidos, uma dimensão que fosse imutável. E cada filósofo dessa época atribui a um elemento diferente essa qualidade fundamental, seja a água, o ar ou os números."
p. 20 - "O objeto primordial dos pré-socráticos era, pois, a physis [...] Tales de Mileto [...] Sua principal teoria foi a de que a água era a origem de todas as coisas, mas pouco se sabe sobre ela [...]"
p. 21 - "Depois de Tales de Mileto, veio Pitágoras, para quem a matemática estava na base de tudo. Os números seriam o verdadeiro instrumento para se entender o mundo. [...]"
p. 22 - "Um pré-socrático de grande prestígio foi Heráclito, considerado por muitos o precursor da dialética e o fundador da filosofia. Ele fala sobre a natureza dinâmica e contraditória do real. Segundo ele, nada há de fixo nem de permanente no mundo, tudo muda. [...]"
p. 22 e 23 - "Em contraposição às idéias de Heráclito, estão as de Parmênides, um contemporâneo seu. Segundo ele, as mudanças constantes no mundo são uma ilusão de nossos sentidos, pois o ser é único, imutável, homogêneo, ilimitado, imóvel [..] dizia Parmênides. 'O que é, é, o que não é, não é.'."
p. 23 - "[...] Demócrito. Par ele há dois tipos de conhecimento: o 'bastardo', que seria alcançado através dos sentidos, e o 'legítimo', que seria a compreensão racional da organização das coisas [...]"
A respeito de Sócrates:
p. 26 - "[...] Desde cedo, ele percorria as ruas da capital grega perguntando às pessoas, jovens ou velhas, o que eram os valores nos quais acreditavam [...] A cada resposta ele formulava uma nova pergunta [...] No final, as perguntas do filósofo sempre provavam que, na verdade, as pessoas respondiam sem saber exatamente o que diziam, sem se darem conta do conteúdo intrínseco de cada resposta. [...]"
p. 27 - "[...] o filósofo era considerado um eterno questionador [...]"
p. 28 - "[...] Para ele, a consciência da própria ignorância era fundamental para o autodesenvolvimento e a aprendizagem. É sua a famosa frase 'só sei que na sei' [...] Sócrates chegou a criar um método próprio, que ele chamou de maiêutica [...] ele estimulava seus alunos a dar à luz novas idéias. Interrogando-os sem parar [...]"
p. 30 - "Segundo Sócrates, o único saber fundamental deve ser: 'Conhece-te a ti mesmo' [...]"
p. 30 e 31 - "[...] Sócrates, então, abraça a filosofia como uma missão de vida: a busca incessante da sabedoria e da verdade e o reconhecimento também incessante de que, a cada conhecimento obtido, uma nova ignorância se abre."
p. 31 - "[...] Segundo Sócrates, a virtude deve aparecer como o resultado de uma busca racional incansável, ao longo da qual o homem vai penetrando cada vez mais em si mesmo. [...]"
p. 32 - "[...] Sócrates é considerado o inventor da ética. Não mais preocupado com o cosmos ou a natureza, como os filósofos que o antecederam, ele busca a reflexão sobre a vida do homem, seus costumes e comportamentos [...]"
p. 32 e 33 - "Sócrates afirma que apenas o ignorante é vicioso ou incapaz de virtude, pois quem sabe o que é o bem não poderá deixar de agir virtuosamente. Portanto, se um homem praticava o mal era por pura ignorância, por não conhecer o bem, por ignorar a essência e as conseqüências de suas ações."
p. 34 - "Por seu caráter excêntrico e questionador, Sócrates foi considerado um inimigo da democracia ateniense e um elemento corruptor da juventude. Na ânsia de levar todos à busca do conhecimento, desafiou preconceitos sociais da época [...]"
p. 35 e 36 - "[...] Na véspera de sua morte, muitos ainda tentaram lhe encorajar a fugir, mas Sócrates se recusou. Segundo ele, a única coisa que importava era viver honestamente, sem cometer injustiças, nem mesmo em retribuição a uma injustiça sofrida. Fiel até o último momento à sua consciência, Sócrates se resigna com a morte [...]"
p. 36 - "[...] passou a vida percorrendo as praças e ruas atenienses, reunindo os jovens em torno de si. Sua habilidade magistral consistia em persuadir e dissuadir. Suas armas eram o diálogo e a interrogação. Com elas, conquistou um lugar cativo na história do pensamento da humanidade."

p. 39 - "[...] O sofista era um professor de técnicas, de política, de virtude e de sabedoria, alguém que julgava possuir conhecimento e poder de transmiti-lo a quem estivesse interessado e pudesse pagar. [...] Para transmitir o seu saber usa a retórica e a persuasão [...] ensinavam  arte de argumentar e persuadir, arte decisiva naquela época da democracia ateniense, onde as discussões era feitas em público. [...]"
p. 39 - "[...] Não se importam com a verdade, por isso são chamados de mentirosos e charlatães. Pra eles, porém, não existe mesmo a verdade absluta, tudo é relativo, resume-se à opinião de quem fala ou de quem ouve."
p. 39  e 40 - "Eles legitimam o ideal democrático da nova classe em ascensão, a dos comerciantes enriquecidos. Agora não eram mais apenas os aristocratas que recebiam educação ou teriam direito a exercer o poder na pólis (cidade) grega, No novo sistema, todos teriam a sua chance, desde que soubessem usar a palavra para impor suas idéias, não através da força, e sim da persuasão."
p. 40 - "Os privilégios, porém, só estariam à disposição dos bons oradores e de quem tivesse dinheiro para pagar aos sofistas. [...]"
p. 41 - "O poder do discurso sofista não estava em seu conteúdo, mas na sua capacidade de seduzir o outro, levá-lo numa direção que não cogitara, fazê-lo pensar diferente de antes. [...] Os dois sofistas mais importantes da época de Sócrates foram Protágoras e Górgias [...]"
p. 42 - "[...] No caso de Protágoras, por exemplo, as suas idéias foram divulgadas posteriormente por Platão, discípulo de Sócrates e, portanto, seu inimigo. Segundo ele, o princípio fundamental de Protágoras era: 'o homem é a medida de todas as coisas' [...]"
p. 42 e 43 - "Já Górgias combate as idéias do pré-socrático Parmênides, afirmando que o ser é inexistente, que o nada existe. Isso significa que o ser não é. Para que existisse, teria que ser eterno, infinito no espaço e no tempo, o que não acontece. O ser não pode ser pensado, portanto, não existe. E mesmo que o ser seja e possa ser pensado, não pode ser dito ou comunicado. O que comunicamos são apenas opiniões sobre as coisas que nos são apresentadas pelos sentidos. [...]"
p. 45 - "[...] O principal desses discípulos foi Platão, que escreveu sobre Sócrates em diversas ocasiões, além de ter criado suas próprias teorias sobre o mundo."
p. 46 - "[...] ele fundou a Academia, uma escola para formar filósofos. Ela durou até o ano 529 da era cristã, quando o imperador romano Justiniano ordena que se fechem todas as escolas pagãs de filosofia. A Academia tinha como objetivo a investigação científica e filosófica e sua fundação é um marco na história do pensamento ocidental. [...] Um de seus livros mais importantes foi República, no qual Platão discorre sobre a justiça na ética e na política. É nele também que o filósofo narra o Mito da Caverna [...]"
p. 48 - "Com essa metáfora, Platão quis dizer que a caverna é o mundo sensível onde vivemos. A réstia de luz que projeta sombras na parede é um reflexo da luz verdadeira (as idéias). O homem vive como um prisioneiro, tomando como verdadeiras as coisas que chegam até ele. Os grilhões são os preconceitos e a confiança nas opiniões e nos sentidos, que nos mascaram a realidade todo o tempo. O prisioneiro curioso que escapa seria o filósofo. A luz que ele vê ao sair, a luz plena do Ser, o Bem, que tudo ilumina."
p. 48 e 49 - "No Mito da Caverna, Platão descreve como são necessários anos de esforço para conseguir alcançar o conhecimento. E aqueles que conseguem se livrar da cegueira devem ajudar os demais. Platão afirma, no entanto, que não é possível ensinar o que são as coisas, mas apenas ensinar a procurá-las [...]"
p. 49 - "[...] A teoria das idéias é a parte central do pensamento platônico. Segundo ela, existe uma esfera superior ao mundo físico, onde estão as idéias puras. [...]"
p. 50 - "[...] Perfeitas e imutáveis, as idéias seriam, para Platão, os modelos dos quais os objetos são meras cópias imperfeitas. [...]"
p. 52 e 53 - "Na obra O Banquete, Platão narra um diálogo entre Sócrates e seis personagens, cada um expressando uma concepção diferente sobre o amor. Um dos personagens, Aristófanes expõem a teoria que se tornou a mais conhecida [...] Trata-se de um mito sobre a origem dos homens, que eram inicialmente dotados de órgãos duplos. Ousados em demasia, enfureceram os deuses e foram castigados, separados em duas metades. O amor nascido desse mito é a eterna procura pela metade perdida e a tentativa de restaurar a condição de ser dois em um."
p. 53 - "No livro IV da República, Platão expõe sua teoria sobre a alma; Segundo ele, a alma estaria dividida em três: desejo, emoção e conhecimento. E diz que é a razão (personificada pelo conhecimento) que deve comandar as outras duas [...]"
p. 54 - "A alma racional será virtuosa se for mais forte e dominadora do que as outras duas, se não sucumbir aos apelos do apetite e da cólera, ou seja, não ceder às paixões. A imoralidade, a injustiça e o vício só existiam, segundo Platão, quando esta hierarquia de comandos não era obedecida, quando o desejo e a emoção tomavam conta da razão."
p. 56 - "[...] Aristóteles [...] fundou o Liceu em 335 a.C. A escola possuía um edifício, um jardim e uma alameda para passeio [...]"
p. 59 e 60 - "Com o objetivo de chegar a uma verdade científica, não sujeita a erros, Aristóteles tenta estabelecer normas de pensamento que sejam irrefutáveis. Para tanto, ele cria a lógica, a arte e o método do pensamento correto. Baseada na lógica, todo o pensamento aristotélico tenta dar uma explicação sobre como podemos, a partir de dados sensíveis e individuais, chegar a formulações verdadeiramente científicas, ou seja, universais."
p. 60 e 61 - "Para Aristóteles, os conceitos não seriam meras convenções individuais ou culturais. Os conceitos seriam universais porque são estruturas inerentes aos próprios objetos [...] Essa teoria nada mais é do que a Metafísica, segundo a qual há uma essência em cada conceito, algo que é eterno, imutável e predomina sobre qualquer mudança aparente. A Metafísica busca nas coisas o que elas têm de consistência, que pode ser controlado e dominado pela razão. Todo o restante é ilusório e, portanto, pode ser deixado de lado."
p. 63 - "No livro VII de Ética a Nicômaco, o filósofo discute se o prazer seria ou não um bem [...]"
p. 64 e 65 - "Aristóteles faz ainda no livro VII de Ética a Nocômaco uma articulação entre felicidade e prazer. A partir do momento em que todos concordam que o sofrimento é um mal a ser evitado e que a felicidade é uma vida sem dor, então, o contrário daquilo que deve ser evitado - ou seja, o prazer - deve ser um bem. Segundo ele, é preciso ressaltar que nem todos buscam os mesmo tipos de prazeres, apesar de os corporais serem os mais falados e conhecidos [...] Ele conclui, então, que o prazer está ligado às atividades, ele não é um fim em si, mas vincula-se ao que está sendo realizado."

Filmes, pensão alimentícia e o direito...
Ontem resolvi assistir Televisão e dois casos me intrigaram, primeiro estava passando o filme Abelhas: Ataque Mortal do diretor Jeff Hare e desconsiderando toda aquela coisa de filme de ação, tratava sobre a questão dos norte-americanos em uma empreitada de construir estradas para explorar petróleo, como é típico de nossos "queridos". O filme mostra que nossos aeroportos são falhos quando um médico consegue embarcar com um caixote de abelhas (e será que não são mesmo? Vide o caos atual da aviação brasileira) dentre outras coisas e claro, crítica duramente aos norte-americanos, agora me remeto ao filme que gerou polêmica no final do ano passado Turistas (veja a polêmica clique aqui), a Embratur entrou falando que isso prejudicaria a imagem do Brasil e coisa e tal, teve grupos formando correntes de Spam via E-mail no intuito de as pessoas não irem assistir o filme, um boicote, mas agora eu digo: Por que tentar esconder coisas que realmente acontece no Brasil? Quando se fala mal deles podem, mas de nós não? Acredito que devemos sim ter um olhar crítico e sempre defender nossos patamares, mas não podemos censurar sempre que alguém queira falar o lado que não é tão bom nosso. Não acredito que um filme detone tão a imagem assim, senão o primeiro filme que citei seria um despautério contra o governo norte-americano, dentro de tanto outros, a crítica deve ser feita a quem merecer, mesmo que quem a mereça seja nós mesmos.

A outra questão que falei que fiquei intrigado é uma notícia que vi uma avó sendo presa porque o seu filho deixou de pagar a pensão. É realmente cobrar a pensão dos avós é legal conforme o art. 1696 do Código Civil: "O direito à prestação de alimentos é recíproco entre país e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros." e o art. 1698 - "Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os graus imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide."
E como o Art. 733 do CPC diz - "Na execução de sentença ou de decisão, que fixa os alimentos provisionais, o juiz mandará citar o devedor para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. §1º Se o devedor não pagar, nem se escusar, o juiz decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses."
Então portanto a prisão a primeira vista é legal, mas acredito que seja importante o juiz nesse caso ter um olhar mais constitucional, ver a função social desta prisão civil, será que não compensaria buscar outras maneiras de resolver esta lide do que logo já ir decretando prisão? São coisas que devem ser pensadas.

Abaixo algumas noticias jurídicas.

Noticias STF

Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007
16:48 - Acusados de exploração sexual de menores pedem habeas no STF    
16:06 - STF arquiva habeas impetrado contra ato da OAB-MG   
14:16 - STF mantém prisão de acusado por homicídio qualificado   
10:00 - Telemar ajuíza Petição para suspender serviços de telefonia no município de Fortaleza por inadimplência    

Noticias STJ

Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007
11h32 -  Delegado brasiliense acusado de tortura tem liminar em habeas-corpus negada no STJ
11h20 - STJ suspende ato que cassou aposentadoria de servidor público
10h12 - Empresários de Marília acusados de sonegação aguardarão julgamento em liberdade
09h17 - Prazo de inscrição em concurso não pode ser prorrogado apenas para portadores de deficiência
Um novo blog, um novo formato e uma imensidão de novidades culturais...
Dois mil e sete é tempo de novos desafios e um deles é o Blog Existo, logo penso..., blog este que visara trazer muitas informações culturais, como relatos de livros que tive a oportunidade de ler e também vários assuntos relacionado a área do Direito, bem como sobre a Política atual e noticias do Brasil e do Mundo. E claro também muita filosofia.

O título do blog

O título é uma citação de Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão do século XIX. Existo, logo penso, poder-se-ia dizer que seria uma afirmação digamos assimétrica a de René Descartes, filósofo, físico e matemático francês, a Penso, logo existo.
Quem quiser saber mais leiam: Que sou eu?: uma questão da Filosofia de Descartes e Nietzsche de Luciano Silva.

Agora definitivamente vou ao meu primeiro post...

Como uma tradição em minha vida de sempre sublinhar e tecer comentários de livros que leio escreverei hoje a respeito do seguinte livro:

Título: Stupid white men: uma nação de idiotas
Autor: Michael Moore
Tradução: Laura Knapp, com Patrícia De Cia e Ana Carolina de Carvalho Mesquita
Editora: Francis
Ano: 2003
Edição: 6ª

Trata-se de um livro completo de sátiras e alguns momentos com um linguajar pesado e diria até ácido, realmente o Mike, como carinhosamente se denomina em alguns momentos do livro, toma uma postura de crítico número um do apartheid dos americanos, conforme diz o autor.
No livro Mike fala sobre a segregação dos negros e dos desafortunados, fala das injustiças sociais e políticas, trata da possível fraude das eleições norte-americanas (na realidade ele fala que a fraude ocorreu), trata de questões da educação tais como falta de investimentos e alienação dos educandos, critica as guerras e até sugere maneiras de findá-las, entre muitas outras coisas, leiam vale a pena, mas lembre-se: sempre com um olhar crítico, pois não adianta tomar as verdades dele como a única verdadeira é necessários ponderar os fatos e as colocações do autor. Agora algumas partes que achei mais relevante:

p. 16 – “[...] Existem cerca de 56 mil novos milionários no país e eles ganharam dinheiro como bandidos. Ganharam pois já tinham uma quantia considerável com a qual começar e daí a investiram em empresas que ficaram ricas ao mandar funcionários embora, explorar crianças e pobres em outros países e receber grandes isenções de impostos. [...]”.

A respeito à postura dos ingleses em relação o apoio aos americanos e as atitudes semelhantes a deles:
p. 30 – “[...] Em seus países, ver vocês começarem a bater nos menos favorecidos, a tornar a vida mais difícil para eles, convenceu-me de que essa vontade significará uma liberação das vossas almas. Se vocês se divertem vendo, ao menos uma vez por mês, os americanos abrindo fogo em escolas e locais de trabalho, se vocês acham que progresso é o mesmo que ter taxas de mortalidade infantil em nossas cidades piores do que em Nairobi, se vocês querem viver em um mundo com menos liberdades civis até do que desfrutamos hoje em dia, continuem simplesmente seguindo nossa trilha. Vocês terminarão sendo não só um pequeno Estados Unidos, mas também receberão todos os convites para se juntar a nós em nossa missão de explorar os pobres em outros países, para que possamos ter tênis de corrida quase de graça! COMO É QUE PODEMOS DEIXAR ISSO BARATO?”

E acrescente as seguintes palavras como uma espécie de consolação e alerta:

p. 30 – “Bem, talvez possamos. Quem sabe ainda haja esperança para vocês. Pode ser muito tarde para nós, reconheço. Este livro dará uma visão dos Estados Unidos de um modo que não é normalmente apresentado a vocês nem mesmo nos seus meios de comunicação. Considere este livro um espelho do que está acontecendo atualmente em seu país. Considere-o como uma advertência do que ainda está por acontecer. Ao terminar de lê-lo, coloque-o de lado e se comprometam a extirpar todos os brancos boçais de todos os cargos de poder. Além de fazer vocês se sentirem bem, poderá fazer com que os trens voltem a circular no horário (e nos trilhos) novamente.”.

A respeito da esposa de Jeb Bush que tentou entrar ilegalmente com jóias no país:

p. 33 – “[...] Mas ah, isto são os Estados Unidos. Não julgamos criminosos se eles são ricos o suficiente ou casados com um Bush no poder.”

p. 69 – “Talvez o âncora do Saturday Nigh Live tenha conseguido colocar do melhor jeito: ‘George Bush disse que não revelou a multa por dirigir bêbado por causa do que suas filhas poderiam pensar dele. Preferiu que elas o vissem como um homem que pôs a perder numerosos negócios e que agora executa pessoas’.”

A respeito de Bush:

p. 73 – “Em suma, você já foi bêbado, ladrão, um possível criminoso, um desertor não processado e um bebê chorão. Você pode classificar essa declaração como cruel. Eu a chamo ‘amor de verdade’.”

p. 89 – “É estranho que, apesar do fato de a maioria dos crimes ser cometida por brancos, rostos negros estejam freqüentemente ligados ao que acreditamos ser ‘crime’ [...]”

p. 90 e 91 – “Os afro-americanos fazem parte do patamar mais baixo da escala econômica desde o dia em que foram surrados e arrastados até aqui acorrentados – e eles nunca saíram desse patamar, nem por um único maldito dia. Um em cada dois grupos de imigrantes que aportaram aqui conseguiram avançar dos níveis mais baixos para os médios e depois para os superiores de nossa sociedade. Mesmo os povos indígenas americanos, que estão entre os mais pobres dos pobres, têm menos crianças vivendo na miséria do que os afro-americanos.”

p. 97 – “Pergunto-me por quanto tempo teremos de viver com a herança da escravidão. É isso mesmo. Eu levantei a questão.ESCRAVIDÃO. Quase dá para ouvir os gemidos dos Estados Unidos brancos sempre que tocamos no fato de que ainda sofremos com o impacto de um sistema escravagista aprovado e apoiado pelo governo.”

A respeito de se ter armas em residências:

p. 103 – “[...] se você está pensando em comprar uma arma para proteção, deixe que eu lhe dê algumas estatísticas. Um membro de sua família tem 22 vezes mais probabilidade de morrer com um tiro se você tem uma arma em casa do que quando não tem.”

p. 139 – “Para a maioria de nós, a única vez que entramos em uma escola de segundo grau é para votar. (Essa é a maior das ironias – participar do ritual sagrado da democracia enquanto dois mil estudantes no mesmo prédio vivem sob um tipo de ditadura totalitária). Os corredores estão lotados de adolescentes estressados indo de uma classe a outra, atordoados e confusos, perguntando-se que diabos fazem ali. [...]”

p. 140 – “[...] Eles aprendem que é melhor se conformar para se formar. Aprendem que balançar o coreto pode levá-los direto para fora da escola. Não questione a autoridade. Faça o que mandam. Não pense, faça o que digo.”

p. 181 – “Somos o país que todos amam odiar. E quem pode culpá-los? Obviamente, nós nos odiamos – ou como explicar o ‘presidente’ W.? Em outra época, sua cabeça já estaria adornando uma das pontes sobre o Potomac. Em vez disso, ele saracoteia ao redor do planeta dizendo às pessoas que é nosso ‘lider eleito’, e nós parecemos ignorantes e tolos. O mundo está rindo de nós, não conosco.”

p. 192 – “Eu fico profundamente triste e enraivecido pelo horror e pelo sofrimento que os judeus tiveram de suportar. Nenhum outro grupo encontrou consistentemente mais morte e tortura em seu caminho do que os judeus – devido a uma inveja cega que dura não apenas séculos, mas millenia.”

p. 192 e 194 – “O que me impressiona não é a natureza desse ódio – afinal de contas, a guerra étnica parece um fato da vida – mas a consistência com a qual ele foi transmitido por milhares de anos. O ódio não é como o despertador do vovô ou um relógio de ouro: você não pode deixá-lo para a próxima geração. Se o meu tataravô odiasse canadenses ou presbiterianos, não teria como sabê-lo. E, ainda assim, de alguma maneira, o ódio aos judeus foi transmitido, tal como uma língua, uma canção ou qualquer tradição oral, para muitas pessoa. [...]”

p. 195 – “[...] O terrorismo individual é ruim o suficiente, mas o terrorismo financiado pelo Estado é verdadeiramente maléfico. Entendo que o mundo sempre terá o louco ocasional que, sozinho, se sente compelido a vingar-se das injustiças com violência. [...]”

A respeito da sentença de Taylor que se fez passar por Tiger Woods e comprou alguns objetos, assim condenado por roubo e perjúrio:

p. 213 – “[...] Duzentos anos, graças à lei californiana das ‘três vezes’, segundo a qual na terceira condenação o sujeito pega prisão perpétua. Até hoje, nenhum executivo de grandes corporações recebeu tal pena, mesmo após ter sido pego três vezes poluindo rios ou lesando seus clientes. Nos Estados Unidos, reservamos tratamento especial aos pobres, aos afro-americanos e àqueles que não contribuírem com um de nossos paridos políticos.”

E acrescenta:

p. 213 – “Claro, às vezes o sistema judiciário – sempre como um rolo compressor – está tão determinado a punir os despossuídos que não se importa se quem vai para a prisão é culpado ou inocente.”

p. 216 – “Com essa condenações sistemáticas aos pobres ocorrendo diariamente em todas as cidades norte-americanas, nosso sistema judiciário não tem nada a ver com a justiça. Nossos juízes e advogados estão mais para lixeiros de luxo, recolhendo e jogando fora os refugos da sociedade – limpeza étnica ao estilo norte-americano.”

p. 218 – “Nós somos um dos poucos países no mundo que executam tanto os deficientes mentais como os delinqüentes juvenis. [...]”

p. 238 – “[...] Depois de décadas empurrando goela abaixo que ‘a vida humana começa na concepção’, vinham agora os mesmos indivíduos que jogaram no lixo o direito da mulher ao aborto nos dizer que este ‘bebês não-nascidos’ não eram nada mais que um monte de tecido embrionário morto – que, aliás, poderia muito bem manter vivos por mais uns anos doentes ricaços!”

p. 239 – “É missão de vida para os ricos e poderosos destruir nosso ar, poluir nossa água, assaltar nossos bolsos e fazer com que seja impossível que consigamos qualquer ajuda na janelinha do guichê, mas quando seus atos começam a assombrar suas vidas, não perdem tempo caçando culpados – procuram logo um jeito de nos dar esmolas.”

E complementa:

p. 239 – “Bem, acho que isso é bom! Vamos esperar que consigam tudo o que querem. Se é preciso uma tragédia pessoal para que eles readquiram à sã consciência, que seja. Afinal de contas, apesar de suas casas de sete banheiros e de suas garagens cheias de Bentleys, eles são gente como a gente. São H-U-M-A-N-O-S. E quando uma pessoa querida de sua convivência está numa cama, molhando sem parar suas fraldas geriátricas, mijando toda hora em seus lençóis de design moderno e balbuciando tal qual as almas estropiadas, de quem eles mesmos cortaram a assistência e verba do orçamento federal – bem, nessas horas, rico ou pobre, o pus das feridas começa a ficar parecido. A igualdade é atingida – uma nação, incapacitada, justiça para todos.”

p. 250 – “[...] Não gosto de apoiar políticos porque – bom, pelas mesmas razões quais você também não gosta – eles são todos tão escorregadios, têm cabelo ruim, não podem articular duas frases sem contar uma mentira. [...]”

E finaliza o livro:

p. 264 – “Quero que todos nós encaremos nossos medos e paremos de agir como se o objetivo em nossas vidas fosse simplesmente a sobrevivência. ‘Sobreviver’ é para os fracos e para os participantes de jogos da TV que ficam presos numa selva ou numa ilha deserta. Vocês não estão encalhados. Vocês são donos do pedaço. Os malvados da história são só uns stupid white men, babacas. E tem muito mais de nós que deles por aí. Usem seu poder [...] Vocês merecem mais.”

 

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BRASIL, Sul, CAMBE, CONJUNTO RESIDENCIAL ROBERTO CONCEICAO, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Livros, Arte e cultura, Direito, Politica e atualidades.