Hoje recebi o boletim informativo da Última Instância e realmente fiquei muito decepcionado com a seguinte notícia: Estudos revelam que Juízes brasileiros tendem a favorecer a parte mais forte ai me indago sobre toda aquela utopia de que a Justiça é cega.
É companheiros, creio eu que hoje é um dia triste, triste porque o que todo mundo sabe vem com a confirmação e o pior de um estudo científico, agora resta-nos saber: será que é melhor assim, ou seria melhor não termos a confirmação da verdade?! Realmente por mais que nos corroa por dentro não se deve tapar os olhos para a realidade, mas sim lutar por melhoras...Leiam a reportagem e tirem suas próprias conclusões, para isso clique aqui...
Hoje postarei um romance, isso porque em minha adolescência sempre tive preconceito quanto a livros de romance, achava inútil, mas hoje eu vejo quão ele é importante para o desenvolvimento humano. Não é o fato de ser romance que ele não traga uma crítica social ou algo do tipo, portanto vamos ao post...
Título: Eleanor Marx, filha de Karl: romance
Autor: Maria José Silveira
Editora: Francis
Ano: 2002 / São Paulo
"Eleanor, que foi das três filhas de Karl Marx a única que teve um papel de destaque no movimento da classe operária inglesa; que foi uma liderança política de sua época, respeitada, admirada e querida; ela, a menina que cresceu com O Capital, em uma família - por incrível que possa parecer a alguns - muito unida, calorosa e afetiva; ela, divulgadora do socialismo, intelectual de vanguarda, defensora militante da causa proletária, do movimento proletário internacional, brilhante, preparada, com um nível de educação bem acima do usual, tendo um objetivo de vida bem claro e envolvente - ela, justamente ela, aos 43 anos, se suicidou por amor. Por quê? O que lhe aconteceu? A história deu suas frias interpretações, mas este 'romance real' de Maria José Silveira recompõe a dilacerada dimensão da tragédia desta frágil e delicada filha de um novo mundo - e do homem que o criou."
"Um ato como este é preparado no silêncio do coração como se prepara uma grande obra de arte." Camus, sobre o suicídio
"Morrer é uma arte, como tudo o mais. Faço-o excepcionalmente bem." Sylvia Plath
Eu realmente acredito que estou gostando desses romances meio que real-fictício Quando Nietzsche chorou é ótimo e esse também, muito legal ver a angústia da forma que fora posta por Maria José sem contar q no decorrer da narrativa tem alguns discursos feitos pela Eleanor ótimos tal como este:
p. 67 - 68 - "Se falasse em outro lugar ou em outra época, eu iria direto ao meu tema, que é deixar claro para vocês o que entendemos por socialismo. Mas nesta cidade, e neste momento, eu me sentiria uma covarde, e sentiria estar negligenciando um dever evidente se não me referisse à questão que, tenho certeza, está presente nos corações e mentes de todos os homens e mulheres aqui presentes; está presente nos corações e mentes de todos homens e mulheres justos. Refiro-me, é claro, ao julgamento dos anarquistas - dizem que é um julgamento - e a condenação à morte de sete homens. Mas eu não hesito em dizer o mais enfática e explicitamente possível que, se a sentença for executada, será um dos mais infames assassinatos legalizados já perpetrados. A execução desses homens será nada menos que assassinato... Se eles forem assassinados, poderemos dizer dos executantes o que meu pai falou daqueles que massacraram o povo de Paris. 'Eles já estão expostos no pelourinho eterno, do qual nem todas as preces de seus padres conseguirão redimi-los.'" Eleanor começou assim seu discurso em Chicago."
E continua:
"A essa altura, vocês já terão compreendido que o socialismo não é exatamente o que nossos inimigos e seus empregados na imprensa apresentam. Invariavelmente, uma das primeiras coisas que eles dizem é que nós, socialistas, queremos abolir a propriedade privada; que não admitimos o 'direito sagrado de propriedade'. Mas, ao contrário, é a classe capitalista hoje que está confiscando nossa propriedade privada. E é porque acreditamos no 'direito sagrado' de vocês àquilo que possuem que queremos que Vocês possuam o que hoje é tomado de Vocês. Vimos, no discurso que antes fez o doutor Aveling, como toda riqueza, tudo que hoje chamamos de capital é produzido pelo trabalho de Vocês. Vimos como através do trabalho não-pago do povo uma pequena classe se torna cada vez mais rica, e como queremos pôr um fim nisso, abolindo toda a propriedade privada de terras, máquinas, fábricas, minas, ferrovias etc.; em uma palavra, de todos os meios de produção e distribuição. Mas isso não é abolir a propriedade privada. Isso significa dar propriedade aos milhares e milhões que hoje não têm nenhuma. Os capitalistas aboliram a 'propriedade privada' das classes trabalhadoras, e nós pretendemos que ela lhes seja devolvida. Todos os homens, então, terão direito à 'propriedade privada', pois todos os homens pertencerão a uma só classe - a classe dos produtores.
Depois, a vocês é dito que os socialistas não querem lei nem ordem. Realmente, nós não queremos o que hoje eles chamam de ordem, pois a ordem de hoje é desordem. A anarquia prevalece por toda parte. Encontramos homens milionários e homens que morrem de fome; mulheres que possuem milhões e milhões e mulheres que têm que escolher entre a fome ou a prostituição. Nós não chamamos isso de ordem. Nós não achamos que seja 'ordem' um homem trabalhar dez, doze, catorze ou até mais horas por dia e, no final da vida, não ter nada de seu. Nós não achamos que seja 'ordem' quando de um lado existem fábricas e depósitos abarrotados com superprodução e, de outro, milhares e milhares de pessoas que precisam desses mesmos artigos que apodrecem nas lojas. Tudo isso é desordem, e queremos acabar com isso e colocar uma ordem verdadeira no lugar.
Agora, quanto à lei. Nós queremos lei; mas lei que seja justa, e justa para todos os homens e mulheres. E aqueles que gritam que não temos lei, por acaso respeitam suas próprias leis? Não, eles as desobedecem, mesmo essas leis ruins. Leis feitas por uma classe em seu próprio interesse são desobedecidas pelos homens que as fizeram..."
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